Caso Bruno e Dom: Justiça Federal decide levar "Colômbia" a júri popular por suspeita de ser mandante das mortes
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Caso Bruno e Dom: Justiça Federal decide levar "Colômbia" a júri popular por suspeita de ser mandante das mortes

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  • há 8 minutos
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Por Lucas Macedo/G1 AM

Foto: Divulgação/Rede Amazônica


A Justiça Federal decidiu que Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como "Colômbia", será julgado por um júri popular pelas mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, assassinados em junho de 2022 no Vale do Javari, no Amazonas.


A decisão foi assinada pela juíza federal Cristina Lazzari Souza no sábado (7). Ela considerou que há elementos suficientes para que o caso seja analisado por jurados.


Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição na Amazônia, no território que engloba os municípios de Guajará e Atalaia do Norte. Eles foram vistos pela última vez em 5 de junho de 2022, quando passavam em uma embarcação pela comunidade de São Rafael. De lá, seguiriam para o munícipio de Atalaia do Norte, mas foram mortos.


Segundo o Ministério Público Federal (MPF), "Colômbia" financiava um grupo ligado à pesca ilegal na região e teria participado ou ordenado os assassinatos.


Na decisão, a juíza cita informações reunidas durante a investigação, como registros de ligações telefônicas entre o acusado e suspeitos apontados como autores do crime, além de depoimentos de testemunhas. As investigações também indicam que ele financiava atividades ilegais no Vale do Javari.


A magistrada destacou ainda que Bruno Pereira teria sido alvo de ameaças por causa do trabalho de fiscalização que realizava na região. De acordo com a investigação, as ações do indigenista prejudicavam os interesses do grupo criminoso investigado.


A acusação afirma que "Colômbia" pode ter fornecido as munições usadas no crime, mantido contato frequente com integrantes do grupo antes das mortes e ajudado a coordenar as atividades ilegais investigadas.


Com a decisão, o acusado responderá por homicídio qualificado. No caso de Dom Phillips, a acusação também sustenta que o crime teria sido cometido para facilitar ou esconder outro delito.


Relembre o crime


Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição para uma investigação na Amazônia. Eles foram vistos pela última vez em 5 de junho, quando passavam em uma embarcação pela comunidade de São Rafael. De lá, seguiam para Atalaia do Norte.


A viagem de 72 quilômetros deveria durar apenas duas horas, mas eles nunca chegaram ao destino.


Os restos mortais dos dois foram achados em 15 de junho daquele ano. As vítimas teriam sido mortas a tiros, e os corpos, esquartejados, queimados e enterrados. Segundo laudo de peritos da PF, Bruno foi atingido por três disparos, dois no tórax e um na cabeça. Já Dom foi baleado uma vez, no tórax.


A polícia achou os restos mortais dos dois após um dos suspeitos, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, confessar envolvimento nos assassinatos e indicar onde estavam os corpos.


Além de Amarildo e 'Colômbia', também foram acusados por envolvimento no crime:


  • Jefferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, custodiado na Penitenciária Federal de Campo Grande

  • Jânio Freitas de Souza, apontado como braço direito do mandante, ambos também presos em presídios federais.

  • Oseney da Costa de Oliveira, o Dos Santos, em regime domiciliar.


Em documento enviado à Justiça, em julho de 2022, o Ministério Público Federal argumenta que Amarildo e Jefferson confessaram o crime. Diz ainda que a participação de Oseney, apesar de negar envolvimento no crime, foi mencionada em depoimentos de testemunhas.


Em junho deste ano, a Justiça Federal tornou réus outros cinco homens que teriam participado do crime.


Francisco Conceição de Freitas, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira vão responder pelos crimes de ocultação de cadáver.


Todos, com exceção de Francisco, também responderão por corrupção de menor, após, segundo a Justiça, obrigarem um adolescente a participar da ação criminosa. Eles respondem em liberdade.

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