Sensatez! Ministra Cármen Lúcia vota para derrubar trechos de norma que afrouxa regras da Lei da Ficha Limpa
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Da Redação - Memorial News
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Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR
A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia votou para derrubar e anular os trechos da nova lei de inelegibilidade (a Lei Complementar nº 219/2025), que tentava “afrouxar” as regras da famosa Lei da Ficha Limpa.
O Supremo começou a julgar nesta sexta-feira (22) no plenário virtual uma ação que contesta a validade da lei. Relatora do caso, a ministra julgou inconstitucional a criação de um teto de 12 anos para o acúmulo de inelegibilidades. Ela argumentou que essa regra esvazia a proteção constitucional, pois funciona como uma anistia ou salvo-conduto futuro.
Cármen também votou para restabelecer algumas regras antigas, como a de que o político condenado por crimes graves ou corrupção tem que cumprir a pena e só depois pagar os oito anos longe das urnas.
A ministra explicou que, pelas regras da Constituição, quando um projeto de lei começa a ser votado na Câmara dos Deputados e vai para o Senado, os senadores só podem mexer em detalhes ou na escrita. Se eles mudarem o sentido ou o coração da lei, o projeto tem que voltar obrigatoriamente para a Câmara aprovar de novo.
No caso dessa lei, a Câmara queria que o prazo de oito anos sem poder se candidatar (inelegibilidade) valesse para todos os crimes.
Mas o Senado mudou isso no meio do caminho. Criou um “duplo regime”: para alguns crimes, o prazo começaria a contar antes, e, para outros (como crimes graves e contra a administração pública), contaria só depois de cumprir a pena.
Como o Senado fez essa mudança enorme e não devolveu o projeto para os deputados carimbarem, a ministra votou que esse pedaço da lei não vale.
Antes, se um político fosse condenado por roubo de dinheiro público ou improbidade administrativa, o prazo de oito anos sem poder disputar eleições só começava a contar depois que ele terminasse de cumprir toda a sua pena de prisão ou punição criminal.
A nova lei tentou mudar isso: ela queria que os oito anos passassem a contar logo a partir da data da condenação por um grupo de juízes (colegiado) ou do dia em que o político perdesse o cargo.
A ministra percebeu que, se a lei ficasse assim, o tempo em que o político estivesse cumprindo a pena na cadeia iria “engolir” o tempo de inelegibilidade. Na prática, assim que ele saísse da prisão, já estaria com a ficha limpa e livre para se candidatar no dia seguinte.
Cármen disse que isso desrespeita a Constituição. Segundo ela, as alterações “estabelecem cenário de patente retrocesso ao que se tinha estabelecido como instrumento de garantia dos princípios republicano, da probidade administrativa e da moralidade pública”.
















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