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Ronaldo Barbosa, a lenda viva das composições do Boi Caprichoso, recebe da Aleam o título de Cidadão do Amazonas

  • Foto do escritor: Portal Memorial News
    Portal Memorial News
  • há 52 minutos
  • 3 min de leitura

Por Juca Queiroz - Redação

Jornalista MTB 088/DRT-AM

Foto: Miguel Almeida/Aleam


Vai um canoeiro/nos braços do rio/Velho canoeiro/vai/já vai canoeiro/Vai um canoeiro/no murmúrio do rio/No silêncio da mata/vai/já vai canoeiro...


Essa toada musical é uma belíssima e merecida homenagem a Ronaldo Passos Barbosa. Ela captura com perfeição a grandiosidade do artista, que não se limita a compor, mas atua como um verdadeiro guardião e cronista da Amazônia.


A forma como Ronaldo se destacou no pioneirismo em levar a temática indígena para o Festival Folclórico de Parintins, sintetiza o impacto de sua obra: transformar a festa em um ato de resistência, preservação e orgulho cultural. Suas toadas antológicas pelo Boi Caprichoso, hoje, lhe rendeu o Título de Cidadão do Amazonas.


A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), entregou nesta quarta-feira (19). no plenário Ruy Araújo, o Título de Cidadão do Amazonas ao compositor, um dos nomes mais icônico na história musical do Festival Folclórico de Parintins.


A solenidade reuniu autoridades, familiares, amigos e representantes da cultura e do folclore amazonense para reconhecer uma trajetória que contribuiu para a transformação da música do Boi-Bumbá Caprichoso e para a valorização de temas ligados à identidade, à ancestralidade e à preservação da Amazônia.


Natural de Campina Grande (PB), Ronaldo Barbosa é odontólogo, sociólogo, compositor, mestre do saber e do fazer cultural e baluarte do Boi-Bumbá Caprichoso. Criado na região do Pajeú, teve contato desde a infância com cordelistas, versadores e cantadores, influências que ajudaram a formar o lirismo posteriormente incorporado à sua obra amazônica.


No final da década de 1970, Ronaldo chegou à Amazônia e fixou residência em Parintins, onde trabalhou na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A convivência com povos originários e as viagens por aldeias do Norte do país se tornaram elementos importantes de sua produção artística.


“Quero agradecer à Aleam por abrir as portas desse plenário para dar voz ao lirismo, à poesia e à cultura, porque um povo sem cultura é um povo sem identidade, que não tem história, não tem memória, não tem origem, não tem crença. Digo que um povo sem cultura é uma árvore sem raiz e Alessandra, você com essa propositura, não traz o Ronaldo Barbosa só aqui para dentro, traz a nação azul e branca toda. Traz uma família inteira para cá”, disse o novo Cidadão do Amazonas. (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA).

Legado na arena


No Boi Caprichoso, Ronaldo Barbosa ajudou a levar para as toadas temas como sabedoria ancestral, espiritualidade ribeirinha, preservação ambiental, cultura e direitos dos povos originários. Também participou de inovações que marcaram o espetáculo, como o toque de ritual apresentado em “Hurequeí (Ritual Karajá)” e a inserção de uma voz feminina na arena na toada “Amazônia Yakamaé”, em 1997.


O compositor também se tornou o primeiro a alcançar a marca de 100 obras apresentadas no Festival de Parintins. (Foto: Acervo Pessoal)


Seu repertório reúne toadas que atravessaram gerações, entre elas “Saga de um Canoeiro”, “Fibras de Arumã”, “Rios de Promessa”, “Mundurucânia”, “Amazônia Catedral”, “Ritual da Vida”, “Grito das Águas”, “Terço Caboclo”, “Os Maracás do Rio Negro”, “Hutukara Yanomami” e “Mothokari”. Em 2026, acrescentou “Cardume de Estrelas” à produção.


Parte desse legado nasceu da própria vivência do compositor no interior da Amazônia. “Os Maracás do Rio Negro”, por exemplo, foi inspirada em um casamento intertribal presenciado por Ronaldo em São Gabriel da Cachoeira, transformando pesquisa, experiência e memória amazônica em poesia.


Reconhecimento da Casa


O Projeto de Lei nº 276/2026, apresentado por Alessandra Campelo, foi aprovado pelo plenário da Aleam e deu origem à Lei nº 8.438/ 2026. Com a entrega da honraria, o Parlamento Estadual oficializa o reconhecimento a um artista paraibano de nascimento, mas cuja trajetória se tornou parte da memória, da cultura e da identidade do Amazonas.



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