Donald Trump anuncia cessar-fogo de duas semanas, condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz
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Por Juca Queiroz - Redação
Jornalista MTB 088/DRT-AM
Foto: GETTY IMAGES
Os Estados Unidos e o Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, intermediado pelo Paquistão.
O acordo suspende uma guerra de seis semanas que matou milhares de pessoas, espalhou-se pelo Oriente Médio e causou uma interrupção sem precedentes no fornecimento de energia mundial.
Houve alívio em muitas ruas da região e nos mercados financeiros mundiais depois que Trump anunciou o acordo na noite de terça-feira.
Mas, mesmo com a suspensão dos ataques de Israel contra o Irã, o país intensificou sua guerra paralela no Líbano, lançando o que descreveu como seus maiores ataques até então, que, segundo o ministro da saúde libanês, causaram centenas de vítimas.
Embora os Estados Unidos e o Irã tenham declarado vitória, suas principais disputas permaneceram sem solução, com cada um mantendo exigências concorrentes para um possível acordo de paz.
Um alto funcionário iraniano envolvido nas discussões disse à Reuters que Teerã poderia abrir o Estreito de Ormuz na quinta ou sexta-feira, antes das negociações de paz planejadas no Paquistão, caso um acordo sobre o cessar-fogo seja firmado.
A mídia estatal iraniana informou que o primeiro navio atravessou o Estreito de Ormuz desde o cessar-fogo com a permissão do Irã.
Na tarde de quarta-feira, os EUA e Israel pareciam estar cumprindo a promessa de suspender a campanha aérea contra o Irã.
Entretanto, os vizinhos do Irã no Golfo, incluindo Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, continuavam a relatar ataques iminentes de mísseis e drones iranianos.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse ter convidado delegações iranianas e americanas para se reunirem em Islamabad na sexta-feira, para o que seriam as primeiras negociações oficiais de paz após a guerra, e que o presidente do Irã confirmou a presença de Teerã.
Mas não houve confirmação oficial de Washington sobre planos para participar de conversas presenciais. A Casa Branca afirmou que nenhuma reunião seria considerada oficial até que fosse formalmente anunciada.
MESMO COM O CESSAR FOGO, ISRAEL ATACA O LÍBANO

Mesmo com a suspensão dos ataques de Israel contra o Irã, o país intensificou sua guerra paralela no Líbano, lançando o que descreveu como seus maiores ataques até então.
O ministro da Saúde do Líbano afirmou que os ataques deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que os ataques a áreas residenciais densamente povoadas ignoram os esforços de paz regionais e internacionais.
As Forças Armadas de Israel afirmaram ter atingido mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah em Beirute, na região leste do Vale do Bekaa e no sul do Líbano.
Segundo os militares, a maioria dos alvos estava localizada em áreas povoadas por civis.
Testemunhas em Beirute e no sul do Líbano disseram que não receberam nenhum aviso prévio dos ataques, algo que os militares costumam fazer aos civis antes de realizar atentados.
O porta-voz militar israelense, tenente-coronel Nadav Shoshani, declarou posteriormente à imprensa que nem sempre é possível emitir avisos ao realizar assassinatos seletivos.
"Existem certos elementos e incidentes em que o elemento surpresa é necessário e é utilizado. Operamos sob a lei internacional com cada alvo e fazemos tudo o que podemos para evitar danos a civis", disse Shoshani a repórteres após os ataques.
Horas antes do ataque, os militares emitiram alertas para algumas áreas do sul de Beirute e do sul do Líbano; no entanto, nenhum alerta foi dado para o centro de Beirute, que também foi alvo do ataque.
As Forças Armadas de Israel informaram que 50 caças participaram dos ataques e que, em um minuto, 100 centros de comando e instalações militares foram atingidos por 160 munições.
EMBAIXADOR IRANIANO NA ONU, DIZ QUE IRÃ ABORDARÁ NEGOCIAÇÕES COM CAUTELA

O embaixador iraniano na ONU em Genebra afirmou que o Irã abordará as negociações de paz com os EUA com muito mais cautela do que em negociações anteriores, devido a uma grande falta de confiança.
"Não estamos depositando nenhuma confiança no outro lado. Nossas forças militares mantêm-se em estado de prontidão... mas, enquanto isso, iniciaremos as negociações para avaliar a seriedade do outro lado", disse o embaixador Ali Bahreini à Reuters.
Ele também afirmou que a guerra afetaria o futuro regime jurídico do Estreito de Ormuz.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse ter convidado delegações iranianas e americanas para se reunirem em Islamabad na sexta-feira, para o que seriam as primeiras negociações oficiais de paz após a guerra, e que o presidente do Irã confirmou a presença de Teerã.
Mas não houve confirmação oficial de Washington sobre planos para participar de conversas presenciais. A Casa Branca afirmou que nenhuma reunião seria considerada oficial até que fosse formalmente anunciada.
As negociações nucleares anteriores, realizadas em Genebra no final de fevereiro, terminaram com algum progresso, mas sem avanços significativos, e estavam programadas para serem retomadas na semana seguinte em Viena, antes que os EUA e Israel lançassem ataques conjuntos contra o Irã dois dias depois.
"Por essa razão, tudo agora é temporário. Até mesmo as medidas para o Estreito de Ormuz são temporárias", disse Bahreini.
















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