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Cheia de 2025 afeta 530 mil pessoas e deixa mais da metade do estado do Amazonas em situação de emergência

  • Foto do escritor: Portal Memorial News
    Portal Memorial News
  • 6 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Por Juca Queiroz - Redação

Jornalista MTB 088/DRT-AM

Fotos: Divulgação/SECOM


O Amazonas vive um ciclo anual de cheias e secas nos rios, mas em 2025 esse padrão tem se mostrado diferente. Em julho, mês em que o Rio Negro normalmente começa a baixar, o nível da água em Manaus continua subindo e alcançou 29,04 metros na sexta-feira (4), segundo o Porto da capital — situação que não ocorria desde 2014. Apesar da elevação, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) avalia que o Rio Negro não deve atingir a marca histórica de 30,02 metros, registrada em 2021.


Além da capital, o nível dos rios também continua subindo em cidades como Itacoatiara, banhada pelo Rio Amazonas, e Manacapuru, às margens do Rio Solimões.


Veja abaixo as cotas máximas e mínimas dos rios em municípios do estado que seguem em cheia, segundo dados da Defesa Civil desta sexta-feira (4).


Fonte Boa (Médio Solimões)

Cota atual: 21,57 metros

Cota mínima registrada: 7,12 metros (em 2024)

Manacapuru (Baixo Solimões)

Cota atual: 19,75 metros

Cota mínima registrada: 2,06 metros (em 2024)

Itacoatiara (Médio Amazonas)

Cota atual: 14,42 metros

Cota mínima registrada: -0,14 metro (em 2024)

Parintins (Baixo Amazonas)

Cota atual: 8,42 metros

Cota mínima registrada: -2,68 metros (em 2024)

Manaus (Rio Negro)

Cota atual: 29,04 metros

Cota mínima registrada: 12,11 metros (em 2024)


Segundo o SGB, as chuvas que caíram em Manaus e em outras cidades da região nos últimos dias influenciaram diretamente a elevação das águas. Com o avanço da cheia, 40 dos 62 municípios do estado estão em situação de emergência. Ao todo, mais de 530 mil pessoas já foram afetadas.


De acordo com a pesquisadora em Geociências e superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil, Jussara Cury, a cheia prolongada em Manaus é resultado direto de dois fatores principais: o acúmulo de chuvas na parte norte da bacia amazônica e o represamento natural causado pelo Rio Solimões, que ainda apresenta níveis elevados.


“Nesse momento, estamos com chuvas concentradas na parte norte da bacia, o que inclui sub-bacias como a do Rio Negro e do Branco. Esse volume de água está sendo represado pelos níveis ainda altos do Solimões. Como os dois rios se encontram na região metropolitana de Manaus, o Rio Negro acaba ficando parado, sem conseguir escoar", explicou.


Além disso, o fenômeno não se restringe à capital. Os altos níveis do rio também são observados em cidades localizadas antes de Manaus, no caminho que o rio percorre até a capital, como Manacapuru, e também depois de Manaus, no sentido que o rio segue, como Itacoatiara.

“Temos registros de cotas acima de 29 metros não só em Manaus, mas também em Manacapuru e Itacoatiara. Isso mostra uma estabilidade dos níveis em toda essa área da bacia, dificultando o início da vazante", esclareceu Jussara.


As chuvas em pleno mês de julho causam estranhamento, mas, segundo pesquisadora, estavam previstas nos boletins climáticos e têm origem em influências oceânicas.


“Essas chuvas agora em julho parecem atípicas, mas estavam previstas nos boletins climáticos. Elas são influenciadas pelo Atlântico, que tem trazido mais umidade para a região.”


O comportamento dos rios neste ano lembra outros episódios de cheia tardia. Jussara cita 2014 e 2009 como os casos mais semelhantes.


“O ano mais próximo em que tivemos um pico de cheia tão tardio foi 2014, quando o rio também ficou parado por alguns dias em julho com cotas altas. Outro caso foi 2009, que até pouco tempo era considerada a segunda maior cheia da região”, disse.

A pesquisadora também explicou a estabilidade dos rios na região e a aproximação da vazante:


"Essa oscilação de um centímetro por dia em Manaus indica que o rio está estável e em transição para o início da descida. O Alto Solimões já começou a baixar, e essa tendência deve chegar à região de Manaus nos próximos dias", concluiu.

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